Dia a dia

Santa Cruz de la Sierra, a cidade que teima em chegar

29 de May de 2013
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Já é a quinta vez que passo por Santa Cruz de la Sierra – em dois mochilões anteriores foi a porta de entrada e saída da Bolívia – e novamente demorou horrores para chegar. Das outras vezes, vim de ônibus – e tive problemas com a quebra do veículo e manifestações que fecharam a estrada. Agora pensava que seria tranquilo, pensei errado.

Na saga de ontem, resolvemos todos os problemas burocráticos para legalizar a nossa entrada e a do Tdi, e ainda bem! Hoje cruzamos a fronteira e já fomos abastecer o carro, paramos nos primeiro posto de gasolina (ou surtidor) e o primeiro problema do dia “Não abastecemos carros estrangeiros”, perguntei porque e só repetiram a frase. Conseguimos pelo menos que eles indicassem quem vendesse para nós, estrangeiros.

Chegando no segundo posto, mais uma bomba, o preço para gringos é quase o dobro que o preço para locais. Para bolivianos, sai $3,72 bs. (R$ 1,17) e o preço oficial para nós é $ 9,53 bs. (R$ 2,99) mas o cara foi legal e fechou por $ 7 bs. (R$ 2,20) sem emitir uma espécie de Nota Fiscal. P…s da vida colocamos $ 150 bs. (21L de diesel). Seguimos viagem e passava pouco das 9h30 (horário local) – guarde esse horário.

Tudo ia muito bem até que avistamos o pedágio, já começamos a pegar a grana, imaginamos ser algo como $ 5 bs. maaaas antes disso, a primeira parada policial. Pediram os documentos e demos, ainda aguardei o policial terminar de listar o que precisava para dizer que tínhamos tudo! Voltamos a estrada, pedágio e mais uma parada, agora pelo exército e o carro foi revistado também. Ahhh, o pedágio custou $ 25 bs. (R$ 7,90) mas tinha um benefício, não teríamos que pagar mais nenhum pedágio até Santa Cruz, há mais de 600 km.

Enfim, para não listar cada uma das paradas, foram 8 ao total. Houveram mais 4 paradas pelo Exército Boliviano, todas com revistas no carro, na bagagem e também verificar se estávamos com as devidas autorizações. Lá pelas tantas – não lembramos mais em qual parada foi – um oficial (o único a se apresentar oficialmente e até mostrar a carteira dele) nos explicou que estavam realizando buscas devido a alguns acontecimentos na região e que ainda encontraríamos mas duas adiante.

Voltando para o caso do diesel, paramos em Robore para abastecer e pagamos novamente $ 7 bs., isso após procurarmos o posto por todo lugar na cidade.

Posto de Gasolina em Robore na Bolívia

Posto de gasolina em Robore na Bolívia

Seguindo viagem, chegamos a maior cidade entre a fronteira e Santa Cruz, ela se chama San José de Chiquitos, nos disseram que ali teríamos preços mais justos pelo diesel. Sabe o que aconteceu? Bombaaaa. Não só estavam errados, como era MAIS caro. Pagamos $ 9,53 bs., mas pelo menos recebemos uma informação importantíssima é o carro que não pode ser abastecido ao preço comum por ser de outro país. Mas caso tivéssemos um galão poderíamos comprar pelo valor de $3,72 bs., isso não foi exatamente o que entendi ao ouvir, mas após estar na estrada juntamos os pedaços das conversas e chegamos a essa conclusão.

E lá ia o disel embora mais um vez. Eu ainda achava que o carro chegaria ao destino com o que tinha mas paramos num posto e o cara nos disse que não abastecia carro estrangeiro. Ele disse que se fossemos mais adiante e voltássemos andando com um galão não teríamos problema. Voltamos para a estrada já meio desanimados, foi quando a Cau olhou para o lado e viu uns carroceiros com vários galões, achei melhor parar pois a intuição dela é boa. Na ansiedade por ter o nosso galão fizemos o retorno e fomos perguntar onde comprar, foi fácil, o cara dos galões nos vendeu um de 23 litros por $ 20 bs.. Pelo menos podemos dizer, bem melhor que ter pago mais de R$ 100 pelo galão no Brasil.

Voltamos ao posto, a Cau ficou no carro e eu surgi do meio do nada com um galão “embaixo do braço”. O cara me reconheceu e ainda brincou, “achou um galão é?”. Finalmente compramos pelo preço local e eu voltei em direção ao carro falando alto pra Cau: “Ahora somos bolivianos! ¡Viva la revolución”. Estava bem feliz pela economia que faríamos dali em diante.

Seguimos viagem, já era noite e aprendemos mais duas lições:

  1. Todos possuem faróis – altos, de milha, etc. – todos andam com eles ligados. Ganha a disputa quem tem o farol mais forte;
  2. Quando está ultrapassando (pela faixa contrária) e tem alguém vindo, essa pessoa freia. Em nenhum momento vi um motorista se abster de passar só por que havia alguém vindo em sua direção. Vimos dois quase acidentes.

Chegamos em Santa Cruz e ainda tivemos que enfrentar um trânsito chato e um certo desrespeito aos bons costumes quando ao volante, mas chegamos ao Jodanga Backpacker HI! Hostel às 20h30, 11 horas depois da saída de Puerto Suarez.

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