Dia a dia

Sozinhos no Salar de Uyuni

23 de June de 2013
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O Hostel onde ficamos não incluía café da manhã, ainda bem que guardamos alguns pedaços de pizzas do dia anterior. Comemos e fomos a rua buscar informações sobre como estava o caminho até a fronteira chilena que dá acesso a San Pedro de Atacama. Más notícias, o caminho estava difícil e a fronteira estava fechada devido a neve. Isso já ocorria há dias e não havia previsão para reabrir, a mulher da agência nos avisou que a fronteira próxima ao vulcão Ollagüe estava aberta. Resolvemos não ficar mais uma noite e já partir para o Salar de Uyuni, então voltamos ao Hostel para arrumarmos nossas coisas e tirar o carro da garagem. Por volta do meio dia saímos e fomos em direção ao cemitério de trens – comprados dos ingleses após a revolução industrial e utilizados até a década de 60. Hoje são atração turística da cidade, além de um ponto de vandalismo.

Cemitério de Trens

Cemitério de Trens

Cemitério de Trens

Cemitério de Trens

Voltamos a Uyuni para abastecer e seguimos sentido a Colchani – vila que fica na entrada do Salar. Como é extremamente fácil de se perder no local eu havia baixado um aplicativo de GPS que usuários enviam caminhos que tenham feito em datas passadas e seguimos um. Poucos km “na estrada” chegamos ao hotel de sal e a “praça das bandeiras”.

Praça das Bandeiras

Praça das Bandeiras

Tiramos algumas fotos e logo seguimos viagem, basta apontar o carro para um lado e ir. Nesse caso não seguimos o GPS, pois a estrada é bem demarcada e ela muda todo ano, após o período de cheia. Fomos em direção a Isla Incahuasi (também conhecida como Isla del Pescado), estávamos no meio do Salar de Uyuni, perdemos totalmente a noção de espaço. Você chega a pensar que está perto de uma montanha, mas está talvez a centenas de km dela. Finalmente avistamos a ilha, pequena comparada as montanhas ao redor, e paramos numa parte – longe dos turistas – e curtimos o visual. Para subir na ilha custa 30bs. por pessoa, decidimos não subir pois já eram 15h e teríamos que estar fora do salar antes do sol se pôr.

Isla Incahuasi

Isla Incahuasi

Por volta das 16h chegamos a uma estrada – de fato – que cruza o sul do salar. Com o Google Maps, navegamos entre as estradas precárias – cruzando desertos, salares e pequenas vilas – às vezes fazendo nosso próprio caminho. Cruzamos com duas nuvens lenticulares (nuvens que se instalam e cobrem o cume de montanhas), aprendemos no curso do CAP que na prática significa saia da montanha.

Nuvem Lenticular

Nuvem Lenticular

Nuvem Lenticular

Nuvem Lenticular

Seguimos fugindo dessas montanhas e já era noite quando finalmente avistamos o primeiro veículo em horas vindo no sentido contrário, eles pediram para pararmos e perguntaram se naquele sentido era o Uyuni. Olhamos meio pasmos aos ocupantes, eram 19h e o Uyuni ficava a pelo menos 5 horas da fronteira. Confirmamos, mostramos o caminho que fizemos e desejamos sorte. A coisa boa foram eles dizerem que estávamos perto da fronteira. Ufa!

Chegamos a fronteira pouco antes das 19h30 e para nossa surpresa e ao contrário do que haviam nos informado, estava aberta. Para sair da Bolívia foi super fácil, carimbaram nosso passaporte e na Aduana Boliviana deram baixa na declaração jurada, e o mais interessante foi que não pagamos nada para sair do país. Chegamos poucos minutos antes das 20h no controle fronteiriço chileno e eles não estavam muitos felizes. Pegamos o visto, declaramos não entrar com nada ilegal no país e fomos até a Aduana Chilena, e pediram para tirar tudo do carro. Enquanto isso revistavam tudo – janelas, assoalho, portas, teto – e perguntavam “Porque chegaram tão tarde?”. Às 20h30 estávamos liberados para entrar, mas ao entrar no carro a Cláudia reparou que havia perdido o visto, corremos até o controle e fizemos outro, sem problemas.

Voltamos ao carro e perguntei a Cláudia o que ela achava de nós seguirmos a caminho de Iquique (cidade costeira). Ela topou e seguimos viagem. Atravessemos algumas das piores estradas que nos deparamos até o momento onde inclusive era sugerido a utilização da tração nas quatro rodas, mas não foi necessário. Depois começou a nevar, o farol alto piorava a visão e parecia que estávamos numa forte nevasca. Quando já cansávamos de tanta terra e solavancos finalmente chegamos a “terra firme” e asfalto.

Finalmente tínhamos uma previsão mais sólida de quando chegaríamos em Iquique, mas a neve seguia conosco e a estrada começava a mostrar vestígios de gelo na pista, mesmo sendo possível seguir trilhas demarcadas por veículos anteriores, nem que fosse necessário ir na contramão. Do nada avistamos algumas montanhas totalmente coberta com neve e a estrada se tornou branca, agora que decidimos não parar, estava muito frio e se parássemos o TDI não ligaria tão cedo no dia seguinte. Resolvemos continuar dirigindo até estarmos numa altitude mais baixa – nem que fosse pela manhã do dia seguinte.

No caminho víamos muitas áreas apropriadas para estacionar o veículo e descansar, além de muitos veículos (carros, vans e caminhões). Resolvemos nos juntarmos a eles no próximo que encontrássemos, já se passava de 1am, e seguirmos procurando mas sem sorte, decidimos então encostar no acostamento mesmo e dormir com o banco reclinado. Logo achamos um lugar e paramos, jogamos os mochilões para trás e pegamos o saco de dormir e fomos dormir.

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5 Comments

  • Reply ROSA PELEGRINI 27 de June de 2013 at 16:11

    meus amores esse dia foi longo……acho q nam deviam se aventurar durante a noite……pq pressa?????
    façam td com segurança por amor a vcs msm e para nam preocupar quem vós amam….bjus

    • Reply Cau 27 de June de 2013 at 16:34

      Oi madrinha, sim não deveriamos, mas parar o carro seria muito mais perigoso… Muito frio e poderia não ligar no dia seguinte. Por isso seguir viagem até um local mais quente foi a nossa opção.
      Amo você.
      Beijos.

  • Reply Leonardo Vianna 22 de August de 2013 at 13:59

    Boa tarde!
    Fazendo uma pesquisa, encontrei seu blog.
    Estou para viajar através da Argentina, Bolívia e parte do Perú. Vou com um carro de passeio comum. Já fiz algumas loucuras com carros até mais simples. Porém, para visitar o Uyuni o mais prático é contratar uma agência (gostaria de ter um 4×4 para fazer por conta este passeio). Queria saber em que hotel ou hostal vocês ficaram. Tinha garagem para guardar o veículo durante os dias que estarei no passeio?

    Muito obrigado.
    abraço.

    • Reply Cau 22 de August de 2013 at 23:39

      Boa noite Leonardo,

      ficamos no Kory Wasy, super barato por um quarto matrimonial (55 pesos bolivianos) sem café-da-manhã mas com banheiro privado. Fica na av principal, perto dos outros hostels, é bem escondido (é só uma portinha com uma placa na frente). Tem estacionamento, fica um pouco distante do hostel (uns 4 quarteirões). Recomendamos!!! se quiser ler mais:
      http://www.a4pes.com.br/2013/1372-de-la-paz-a-uyuni-em-10h

      Quanto a ir ao Salar com agência, se você não for no verão (quando o salar está alagado) um carro comum pode realizar o mesmo trajeto tranquilamente! Nós usamos um aplicativo para celular chamado Wikiloc que mostra trilhas feitas por outros usuários no passado. Principalmente até a ilha Incahuasi seguimos mais a trilha dos carros que todo ano muda no salar. De lá par ao sul (e a fronteira de Ollague) seguimos mais o aplicativo.

      Espero que ajude e fique ligado, estamos começando agora nossa passagem pela Argentina, podemos lhe passar mais dicas daqui tb.
      Abraço

  • Reply Salar de Uyuni | Bolívia [destino 6] | A 4 Pés 30 de November de 2013 at 10:55

    […] Acompanhe aqui como foi a nossa travessia pelo Salar do Uyuni. […]

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