Dia a dia

Recuperando Km

3 de July de 2013
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Ontem dirigimos mais ou menos 400km, precisávamos rodar mais de 700km para chegar a Vicuña a tempo de fazer o passeio no Observatório Astronômico Mamalluca. Assim, logo levantamos, arrumamos nossa casa e ligamos o Tdi – apesar de estar cedo e o sol ainda não ter aparecido no horizonte ele ligou tranquilamente. O café da manhã tomamos na estrada mesmo, um delicioso cereal com leite quente (esquentado com o rabo quente).

O caminho foi longo, mas as estradas aqui são, em sua maioria, muito boas. Pegamos diversos trechos da ruta 5 – estrada que liga o país de norte a sul  – em duplicação, mas somente em um tivemos que esperar pois havia somente uma pista liberada, esperamos mais de 30 minutos. Começava ai a ruta costera, ligando Chañaral a Copiapó, com belas praias – infelizmente algumas impróprias para o banho – e uma estrada bastante sinuosa.

Pouco antes de chegar a Copiapó o primeiro pedágio no país (1.950 CLP), entendemos um pouco o motivo, estradas duplicadas e ótimos estacionamentos (com banheiro e chuveiro) para descansar – mas ainda não testamos tal maravilha. Estamos a três dias sem banho!

Passados mais 300km desde Copiapó, chegávamos a La Serena, ufa! Ontem, pouco antes de estacionar para dormir, havíamos visto uma placa que indicava a cidade a mais de 700km, parecia que nunca chegaríamos. Com fome, procuramos um mercadinho para comprar pão, frutas e água, faltava pouco mais de 50km até Vicuña e o observatório.

Antes das 18h chegamos na cidade que fica no meio do Valle del Elqui, uma das melhores regiões par ver as estrelas e fabricar Pisco – aguardente local feito de uva. Fomos a Oficina do Observatório Mamaluca e logo já tinhamos reservado nosso passeio para às 18h30. Quando voltei ao carro, percebi que tinha um monte de notificações no celular, havíamos encontrado um ponto gratuito de wifi!!!

Pouco depois do horário marcado, começamos a seguir o carro do observatório, o mesmo fica a 9km do centro da cidade, foi o primeiro criado para o fim turístico em 1995 e é municipal. Chegando lá encontramos quem seria nosso guia – Luis – havíamos solicitado um guia em inglês, pois queríamos compreender absolutamente tudo que fosse falado. Avisamos isso a ele e o resto do tour fizemos em espanhol e o que não entendíamos ele traduzia.

Fomos direto para o observatório principal e com um sistema bem simples (um ‘GPS’) o guia mandou o telescópio mostrar Saturno. Wow!!! Não vimos em toda sua plenitude e cores mas foi incrível. O Luis nos explicou que o telescópio consegue ver tudo perfeito, mas nosso olho ao ver através de um a pupila se reduz a 5 mm e enxerga apenas a luz ótica, ou seja, preto e branco. Mas vimos perfeitamente os anéis de Saturno e isso já era espetacular!

O próximo destino galático foi a estrela Regil Kentaurus, a olho nú apenas uma, mas olhando através do telescópio vimos duas de igual tamanho. Em seguida apontamos para a estrela alpha – a mais brilhante – do cruzeiro do sul, também são duas. O Luis foi nos explicado que em cada constelação as estrelas são nomeadas seguindo o alfabeto grego, de acordo com seu brilho. Além disso, compreendemos melhor como encontrar o sul verdadeiro – encontrando o cruzeiro do sul, suas estrelas alfa (a ponta de baixo) e gama (a de cima) e a distância entre elas é só calcular 4,5x tal distância e voilá! Eis o sul. O incrível é que tal distância fica numa região ‘sem estrelas’.

Entre tantas outras descobertas também vimos uma estrela que a olho nú é bem fraca, mas pelo telescópio se vê milhões delas – e quando há mais de quatro juntas são conhecidas como cúmulo. A noite foi seguindo e nós descobrindo cada vez mais coisas sobre nosso sistema solar e galáxia, sabiam que só no hemisfério sul se vê a via láctea (também conhecida como caminho de Santiago)? Isso ocorre porque nosso planeta está numa ponta da via láctea e nosso hemisfério está virado para ele enquanto o norte está virado para o outro lado da galáxia, obscuro e onde se vê poucas estrelas. E o nome via láctea? A mitologia grega dizia que Hércules, ao tomar leite de sua mãe, teria vomitado e então criado o “caminho de leite”, a via láctea, em inglês milky way.

Em quase todas as civilizações antigas há registros de estudo das estrelas, na China por volta do século X registram uma supernova que durou meses, a explosão sendo possível ver durante o dia no primeiro mês; Copérnico foi o último a se ter registro de falar sobre uma supernova, no século XVII, estamos desde então aguardando uma. Enfim, os gregos, romanos, chineses e etc. todas olhavam, admiravam e estudavam as estrelas, mas somente os Incas e – em um registro – os aborígenas australianos olhavam para as sombras entre as estrelas, o que eles viam? Os Incas viram, nas sombras da via láctea, uma raposa caçando uma llama com seu filhote e elas indo em direção a uma serpente. Já os aborígenas viam uma Ema (Emu) com o corpo separado da cabeça, o que eles acreditavam ter sido um sacrifício de seus antepassados aos Deuses.

Infelizmente não tínhamos mais tanto tempo, o tour pareceu ter sido tão curto devido ao tamanho do aprendizado, logo entramos no Tdi e ainda maravilhados voltamos a Vicuña. Paramos para ler as mensagens na internet – o wifi aberto próximo a praça central – e lá decidimos que amanhã passaríamos na destilaria Mistral, pelo que ouvimos uma das melhores do país. Fomos então até a cidade de Paihuano e dormimos na cidade.

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