Dia a dia

Mergulho no fim do mundo

9 de January de 2014
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A uma semana de ir embora ainda há coisas para fazer em Ushuaia. Caminhar com os penguins e mergulhar nesta região eram duas delas, o último foi removido de nossa lista, e que mergulho!

Cheguei ao Club Náutico AFASyN por volta das 9h20, a hora marcada era 9h30, logo encontrei o Carlos – instrutor de mergulho da Ushuaia Divers. Começamos a conversar sobre a história dele com o mergulho, que é intrinsecamente ligada a história dele com a cidade. Ele foi piloto da Força Aérea, inclusive durante a Guerra das Malvinas, e como diz ele, aquele tempo todo não serviu para nada.

De volta a Ushuaia no começo da década de 90, ele aprendeu a mergulhar. Começou como hobby – de finais de semana e ainda usando roupa húmida (o acesso às roupas secas era mais difícil) – e em 1995 ele virou instrutor e abriu a Ushuaia Divers, o centro de mergulho mais austral do planeta. Hoje também é guia de mergulho na Antártida e do SS Monte Cervantes – considerado o Titanic do sul -, um barco alemão que naufragou no Canal Beagle em 1931. Hoje em dia ainda é possível encontrar relíquias da época, o barco está repartido em várias partes, variando de quase 30m há mais de 100m.

Após muita história, chegou o outro mergulhador, um argentino que vive na Costa Rica. Bem mais experiente que eu, até o filho do cara mergulha a mais tempo que eu! Todos devidamente vestidos em trajes que, quando inflados – mais se assemelham a de um boneco da Michelin vermelho.

Marcos no porto esperando para entrar no bote da Ushuaia Divers

Preparado para enfrentar os 7ºC?

O passeio foi realizado no chamados zodiacs, embarcações pequenas e infláveis ótimas para se aproximar da costa e atracar em qualquer bóia posicionada anteriormente. O primeiro mergulho foi na Isla Mary, onde há um pequeno atracadouro, eu fui o primeiro a me equipar e cair na água. Para não dizer que não senti frio, somente meus lábios não estava protegidos e eles sofreram no começo.

Todos na água, bora explorar a região. A camera não ajudava muito, a GoPro apesar de ter um espetáculo de câmera, as condições precisam estar favoráveis. Uma das coisas que tenho percebido é que sem sol ou com o sol de frente, as imagens se tornam exageradamente esverdeadas. Mas minha surpresa ficou pela quantidade de vida marinha que encontrei nos primeiros minutos, estrelas do mar, lagostinhas, caranguejos – de todos os tamanhos e cores – e um peixe. O Carlos havia avisado que a vida marinha na região – e na profundidade que chegaríamos – era composta basicamente de crustáceos, muita alga (kelp) e talvez com muita sorte um penguin e/ou leão marinho (não vimos).

Uma centolla no fundo do Canal Beagle

Um pouco do que foi encontrado no mergulho

O mais incrível, sem dúvida, foi descobrir a velocidade com que as algas Kelp crescem, 18mm POR DIA! Fiquei besta! Mas só foi quando, ainda nos restando mais uns 10 minutos, eu subi (meu ar tinha acabado muito rápido) e eu tive que voltar ao barco pela superfície que eu vi a magnitude deles. Após atingir a superfície marítima os kelps seguem crescendo e começam a se espalhar, tornando qualquer navegação por elas impossível. Tive que nada para fora deles para depois retornar ao barco.

Vista do Canal Beagle da superfície

Essa vista que tive ao chegar a superfície próximo a Isla Mary

Após voltarmos ao barco, seguimos ao segundo ponto de mergulho, mas o Carlos resolveu nos surpreender e nos levar até a Isla de los Lobos e por mais de 10 minutos ficamos tête-à-tête aos leãos marinhos, foi incrível!!!

Leões marinhos tomando sol na Isla de los Lobos

Na Isla de los Lobos vimos essa incrível colonia de Leões marinhos

Chegamos então ao segundo ponto de mergulho. Agora apenas uma bóia no mar. Novamente equipados, mas agora eu estava com bastante frio. Não chegava a bater os dentes, mas nada legal. Começamos a mergulhar e mesmo com o ar dentro da roupa seca, o que dava uma sensação melhor, eu comecei a sentir mais e mais frio. Acho que foi uma cadeia de reações que me deixaram desconfortáveis e não os controlei. Cheguei a superfície e logo o Carlos veio saber qual era o problema, avisei que não me senti confortável e iria sair. Já próximo ao bote percebi que havia sangrado muito pelo nariz, todo o esforço para equalizar e o frio haviam estourado várias veias na região. Mas mesmo já estando mais tranquilo eu queria tirar aquela roupa que sentia me sufocar no pescoço.

Fiquei no bote, conversando com a esposa do outro mergulhador que havia vindo junto, o sol saiu o que ajudou a aquecer mais e logo os dois subiram, a correnteza estava forte e os ventos começavam a ser um incomodo inclusive para eles. O Carlos explicou que os ventos são os imperadores da região, eles reinam, mas são bipolares, o que começou como um dia totalmente atípico na região – com quase nada de vento – estava começando a virar e já víamos chuva aproximando rápido pelo leste. Novamente o Carlos indicou que viria chuva forte em breve.

Voltamos logo ao Club Náutico AFASyN para conversar mais um pouco e tomar um chá quente. Em seguida a Cau se juntou a nós e conversamos um pouco mais antes de irmos. Um belo lugar, ótimo para se conhecer e se tiverem como escolher, Abril é o mês para mergulhar na região. A visibilidade está ótima e os animais estão mais ativos – sendo mais frequente encontros com leões marinhos. Mas para mim ainda falta um pouco de experiência.

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2 Comments

  • Reply Viicius 30 de November de 2015 at 14:43

    Ola marcos ! tudo bem ?

    Você precisou de alguma licença de mergulhador para realizar o passeio ?

    Abs,

    Vinicius.

    • Reply Marcos 30 de November de 2015 at 15:42

      Boa tarde Vinicius,

      foi necessário o PADI Open Water (mais detalhes). O mergulho em águas muito frias é mais desafiador para quem ainda não tem experiência com isso, a roupa é diferente, ela é inflada com o ar, então a flutuação muda. Mas tendo essa certificação já deve ser o suficiente.

      Eu mergulhei com o Ushuaia Divers e qualquer dúvida que tiver, pode tirar com o casal do Brasileiros em Ushuaia, eles vivem lá, trabalham com isso e podem te ajudar com tudo que precisar se estiver pensando em mergulhar no fim do mundo.

      Abs.

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