Dia a dia

Circuito W, Torres del Paine

20 de January de 2014
TorresdelPaine

Nesta série de posts, vamos dividir a trilha de Torres del Paine em dois. O primeiro post, este, contaremos como foram os 4 primeiros dias da trilha, quando realizamos o trecho mais famoso, o Circuito W. No segundo (podem ler aqui) falamos dos seis dias seguintes, onde demos a volta no parque e finalizamos a trilha de volta ao ponto de partida. Ao total ficamos 12 dias dentro do Parque Nacional Torres del Paine – 4 dias no Circuito W, 6 completando o Macizo Paine (ou Circuito O) e finalizamos com mais 2 dias de descanso. Tudo isso só foi possível com a ajuda da CONAF – responsável pelo parque – e as empresas donas das hospedagens ao redor do circuito, Vertice Patagonia (VP), Fantástico Sur (FS) e Hotel Las Torres que nos auxiliaram muito e em breve traremos mais novidades a vocês. Só mais um detalhe, no fim do texto deixamos os preços praticados no parque como forma de consulta, mas é sempre melhor confirmar os valores com as empresas.

circuitoW

Circuito W

Dia 1 (Ida ao Acampamento Torres)

Passamos a primeira noite no Refúgio Torre Central (FS) e logo após o café da manhã começamos a trilha. Ficar no refúgio é uma boa opção para quem quer começar cedo e evitar o trânsito no início. Este trecho é dos mais visitados no parque já que é o caminho para o principal ponto turístico – as Torres del Paine.

dia1_placa

Nós começamos “tarde” para quem dormiu no refúgio, saímos quase 9h e planejávamos 4 horas de caminhada até o primeiro acampamento, o Acampamento Torres, ele é mantido pela CONAF então não custa nada acampar por lá (nada além da entrada ao parque). Os primeiros km do dia foram intensos, logo após passar pelo Hotel Las Torres começou uma subida íngreme pela encosta oeste do vale. Mas esta subida durou pouco mais de 1 hora no ritmo intenso – ainda animados – que estávamos e logo após passar o cruzamento com a trilha que leva ao Refúgio Los Cuernos chegamos ao ponto mais alto da trilha, dali em diante era só descida até o Refúgio Chileno (FS).

dia1_chileno

Escolhemos não ficar neste refúgio – apesar da estrutura – pois queríamos estar mais próximos das torres para vê-las logo cedo, quando o sol as ilumina pela primeira vez no dia, deixando tudo em uma cor linda! Seguimos então caminhado até o Acampamento Torres, pouco mais de 40 minutos depois chegamos a ele e fomos recebidos pelo guardaparque que nos passou as instruções do que era (ou não) permitido e logo em seguida escolhemos um lugar para colocar nossa barraca.

dia1_mochilas

Decidimos, meio que de última hora, a ir ver as torres ainda naquele dia. A idéia era ver mais ou menos quanto tempo levaríamos para definir que horas subiríamos no dia seguinte. É um dos trechos mais exigentes de todo o parque devido ao desnível, já que os pouco mais de 1,5km levaram em torno de 45 minutos (+- 2km/h). As Torres são realmente muito bonitas, mesmo sem todo o jogo de cor que só acontece ao amanhecer, mas infelizmente não tivemos muita sorte e foi difícil conseguir uma foto sem um nuvem tampando alguma delas. O frio começou a apertar e resolvemos voltar ao acampamento, cozinhar e descansar para o dia seguinte. Havíamos caminhado, ao todo, mais de 11km, o suficiente para aquecer os motores.

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Dia 2 (Acampamento Torres ao Refúgio Los Cuernos)

Colocamos o despertador para às 5h, apesar do sol nascer por volta deste horário, com a experiência que eu tinha (de ter visto o sol bater nas Torres após às 6h dias antes, quando ainda estávamos no Refúgio Torre Central), sabíamos que ainda daria tempo de chegar ao mirador e não passar tanto frio esperando o sol ajudar no espetáculo. Mas só esquecemos de por o ovo no muro para Santa Clara, o dia amanheceu chuviscando.

dia2_loscuernos

Então só após uma longa soneca é que saímos da barraca de vez e o dia já estava lindo. Infelizmente nem tudo pode ser perfeito e é difícil ter todos os fatores favoráveis. Eu havia tido tal sorte em 2011 quando visitei o parque pela primeira vez.

Tudo pronto e guardado na barraca, começamos a caminhada de volta da primeira “perna” do W. Até chegar ao Refúgio Chileno, tivemos a sorte de ter bastante sombra mas a medida que o dia foi avançando ficamos mais expostos ao sol, “dale” água. Foi um dia mais longo, quase 5 horas até o Refúgio Los Cuernos e caminhamos pouco mais de 17km.

dia2_caminhoO único agravante foi que havíamos deixado o carregador solar para fora da mochila da Cau para ele carregar e em um determinado ponto eu percebi que uma parte dele não estava mais pendurado e como ele era de extrema importância eu voltei correndo pelo caminho que havíamos feito até o último ponto que eu lembrava de tê-lo visto. Nada feito, cruzei novamente um rio que havia e fiquei procurando lá. Já desistindo um casal passou e me viu procurando algo e tentou ajudar (sem nem perguntar o que era), dito e feito, o rapaz achou em segundos e perguntou se era aquela peça (que mais parece aquelas placas de hotel pedindo para não ser perturbado) era o que tanto buscava. Dia salvo, voltei correndo até a Cau, todo feliz! 🙂

dia2_loscuernos1Chegamos ao refúgio passada das 15h e já estávamos mortos de fome, era nosso primeiro refúgio na trilha, mas sabíamos o que esperar do jantar. Mas demorou um pouco, havíamos chego cedo então nos juntamos a todos os turistas de cara pro sol e torramos um pouco. Lembrando que já se passava mais de 6 meses desde que tomamos sol, estávamos “pau a pau” com escandinavos, até era possível tomar sol a partir do nosso reflexo! Jantar saiu na hora, arroz com hamburger feito a mão, delícia! Mais uma vez, duramos pouco após o jantar, direto para o saco descansar entre as triliches do refúgio.

Dia 3 (Refúgio Los Cuernos ao Acampamento Italiano)

Ventou a noite inteira, daquele tipo o Mágico de Oz! Somando isso ao fato de que a porta do corredor rangia a cada turista que ia ou voltava do banheiro, dormi mal. O melhor a fazer era ir logo para o café da manhã e seguir ao Campamento Italiano, poucas horas dali e armar a barraca antes de enfrentar o Valle del Francês e seus ventos uivantes!

Café da manhã tomado, pegamos a trilha, mas o vento contra foi tenso. Segundo os registros (que vimos depois) as rajadas chegaram a 90km/h fez da trilha uma verdadeira montanha russa e a Cau não aguentou – dali em diante ela não tomaria mais leite antes de começar um dia, muito pesado!

dia3_placacaminhoMas entre trancos e barrancos chegamos bem rápido ao Acampamento Italiano (outro local mantido pela CONAF), armamos nossa barraca e fomos descansar um pouco. Passado duas horas resolvemos enfrentar os ventos do vale e chegar ao mirador do britânico, de onde seria possível – se o tempo permitisse – ver as Torres del Paine de outro ângulo, além de aproximar os Cuernos e as Torres em praticamente a mesma paisagem, algo impossível de ver do “lado famoso”.

O caminho é tranquilo, leve aclive, e em poucas horas atingimos chegamos ao mirador, o tempo havia aberto algumas vezes, mas ainda chovia toda vez que as nuvens tampavam tudo. Ficamos pouco no mirador, mas no meio tempo as nuvens abriram e permitiram que pudéssemos ver as torres e o vale de lá de cima. Resolvemos descer e pudemos, ao longo do retorno, ver toda a cadeia de montanhas que compõem os mais belos cenários do parque em todo seu esplendor.

dia3_miradorbritanicoJá de volta ao Acampamento, por volta das 17h, resolvemos ir jantar, pois a noite anterior somado ao dia “pesado” que tivemos só pedia uma coisa, dormir!

Dia 4 (Acampamento Italiano ao Refúgio Lodge Grey)

dia4_ponteSabe o que acontece com quem dorme cedo? Acorda igualmente cedo, nunca acordei tanto antes do despertador. O corpo parecia aclamar, quero caminhar! Devemos ter sido um dos primeiros a sair do nosso acampamento, pois não vimos praticamente ninguém fazendo o mesmo sentido que nós. Em pouco tempo chegamos ao belo Refúgio Paine Grande (VP), mas foi com dor no coração que tivemos que seguir caminhando após um rápido descanso por lá.

dia4_florespainegrandeO caminho do Italiano ao Paine Grande, foi super tranquilo, a maior parte em terreno plano e sem maiores problemas, fora o cansaço que não permitia o corpo acompanhar o ritmo que a mente impunha. A todo momento era uma batalha entre os dois, o corpo pedir descanso, comida, água e a mente sempre no pique “vamos nessa que falta pouco”. Chegamos realmente cansados nesse dia, a cada momento parecia que extrapolávamos os limites anteriores.

Para nossa alegria, haviam reservado um belíssimo quarto para nós e após um merecido banho fomos descansar antes do jantar. Que sono de beleza tivemos, parecia que havíamos despertado de um sono de anos, muito bem descansados descemos para um ótimo jantar e então fomos ao mirador do Galciar Grey, o dia chegava ao fim e nossos ânimos reanimavam, finalizamos o circuito W.

dia4_glaciar

Glaciar Grey

Até aqui foram 4 dias, 60.96 km em um total de 22 horas de caminhada. Veja mais detalhes da caminhada até aqui na tabela abaixo, clicando no link lhe levará a ver mais detalhes de cada trecho.

Trecho Início em Tempo Distância
Ref. Torre Central – Camp. Torres 17/01/14 09h35 2:58:08 9,12 km
Camp. Torres – Mirador Torres 17/01/14 13h06 1:03:25 1,73 km
Mirador Torres – Camp. Torres 17/01/14 14h40 54m28s 1,60 km
Camp. Torres – Ref. Los Cuernos 18/01/14 11h21 4:31:38 12,72 km
Ref. Los Cuernos – Camp. Italiano 19/01/14 09h07 1:39:35 5,31 km
Camp. Italiano – Mirador Valle del Frances (ida e volta) 19/01/14 13h08 5:10:47 12,05 km
Camp. Italiano – Ref. Grey 20/01/14 08h34 5:43:49 18,43 km

Abaixo deixamos os preços dos refúgios, acampamentos e alimentação de cada hospedagem no circuito W e o link lhe levará ao site da empresa responsável pelo local onde poderá verificar qualquer alteração nos preços. Dica, pagando em dólares americanos, antecipadamente via internet ou na hora, você não é cobrado o IVA (19%).

Refúgio Torre Central (Fantastico Sur) – completo, refúgio (cama armada), camping, duchas, banheiros, mini-mercado, restaurante e bar. É o centro das operações dos refúgios (Torre Norte) e camping da região (Camping Torres), então caso adquira o direito a alimentação, será servido neste local.
Cama armada = $38.000 ou US$71
Fullboard (café da manhã, almoço ou lunch box e jantar) = $26.000 ou US$48
Cama armada + fullboard = $64.000 ou US$119
Camping (o local) = $6.000

Refúgio Torre Norte (Fantastico Sur) – localizado a poucos metros do Refúgio Torre Central pode se considerar que também possui estrutura completa, pois o que não possui usa-se a estrutura do outro refúgio (como no caso do restaurante, bar e mini-mercado).
Cama simples = $24.500 ou US$46 (você precisa prover da sua própria roupa de cama ou alugar um saco de dormir)
Cama armada = $30.000 ou US$55
Fullboard (café da manhã, almoço ou lunch box e jantar) = $26.000 ou US$48
Cama armada + fullboard = 56.000 ou US$103

Refúgio Chileno (Fantastico Sur) – localizado no caminho para o Mirador das Torres o refúgio possui cama simples, camping, restaurante, mini-mercado, banhos e duchas.
Cama simples = $24.500 ou US$46
Cama simples + saco de dormir = $28.500 ou US$55
Camping (o local) = $6.000
Fullboard (café da manhã, almoço ou lunch box e jantar) = $26.000 ou US$48

Campamento Torres (CONAF) – acampamento gratuito, possui banheiro e um pequeno refúgio onde se deve cozinhar.

Refúgio Los Cuernos (Fantastico Sur) – possui camping, refúgio (com camas simples), domos e cabanas. O refúgio ainda possui uma ótima área para cozinhar.
Cama simples = $24.500 ou US$46
Cama simples + saco de dormir = $28.500 ou US$55
Cama armada = $28.500 ou US$55 (disponível apenas dentro dos domos)
Cabana (2 pessoas) = 83.000 ou US$155
Camping (o local) = $6.000
Fullboard (café da manhã, almoço ou lunch box e jantar) = $26.000 ou US$48

Domos Francés (Fantastico Sur) – a 1 hora do Refúgio Los Cuernos, entre este e o Acampamento Italiano, entrou em funcionamento nesta temporada, possui infraestrutura básica e ainda conta com serviço de alimentação.
Camping = $4.000

Acampamento Italiano (CONAF) – acampamento gratuito, possui banheiro e um pequeno refúgio onde se deve cozinhar.

Acampamento Britânico (CONAF) – acampamento gratuito, sem banheiros e refúgio para cozinhar – a não ser uma pequena estrutura feita com pedras e galhos – e sem posto da CONAF.

Refúgio Paine Grande (Vertice Patagonia) – outro dos mais completos refúgios dentro do circuito, uma ótima estrutura com restaurante, bar, mini-mercado e internet. Vale a pena informar que a internet no parque é via satélite e qualquer mau tempo é o suficiente para afetar o sinal – e mau tempo não é algo fora do comum nessa região.
Cama simples = $26.500 ou US$50
Cama armada = $40.000 ou US$75
Fullboard = $24.000 ou US$45
Camping (o local) = $4.800

Refúgio Lodge Grey (Vertice Patagonia) – uma incrível estrutura próximo ao Glaciar Grey e das montanhas, facilitado pelo acesso via embarcação – aberto ao público também – possui uma estrutura completa, restaurante, bar, mini-mercado.
Cama simples = 17.300 ou US$35
Cama armada = 40.000 ou US$75
Fullboard = $24.000 ou US$45
Camping (o local) = $4.000

Ainda, próximo aos Refúgios Torre Central e Norte, existe o Hotel Las Torres com sua incrível estrutura, enorme variedade e disponibilidade de quartos e uma vista exuberante! Há um belo restaurante (com serviço buffet), um bar com uma das vistas mais lindas que já vimos, spa, jardim orgânico e ainda é possível contratar outras excursões, como a cavalgada.
Quartos a partir de US$316
Almoço ou jantar em torno de $24.000 (algo como US$50)

EmpresAmigaPara viver a experiência citada acima contamos com o apoio de uma EmpresAmiga, clique aqui para conhecer todas as empresas que de alguma forma nos ajudaram (alimentação, turismo e/ou hospedagem).

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