Dia a dia

Subindo o Pico da Bandeira

1 de September de 2014
Pico da Bandeira

Após alguns dias trabalhando no Hostel Internacional do Alto do Caparaó nos preparamos para ir ao Parque Nacional Alto do Caparaó por volta da hora do check-out. A idéia era subir o Pico da Bandeira – terceiro pico mais alto do Brasil – na madrugada do dia seguinte. O Parque Nacional se localiza na divisa entre Minas Gerais e Espirito Santo, por conta disso há dois caminhos para atingir o pico, um a partir de cada estado.

Chegamos na portaria e avisamos que tínhamos uma reserva – pois havíamos lido que era necessário reservar -, mas como era uma segunda-feira, o parque, e principalmente dormir no Terreirão – acampamento base para quem quer chegar ao cume do Pico por Minas Gerais – era possível. Pagamos R$37 que incluía a entrada e a estadia (por uma noite) dentro do parque, para duas pessoas. Uma verdadeira pechincha. Melhor ainda por não ser obrigatório a contratação de guia para realizar a trilha.

Altura do Acampamento Tronqueira

Altura do Acampamento Tronqueira

A subida até o primeiro acampamento – o Tronqueira – de carro é relativamente tranquila. Não é possível desenvolver uma velocidade muito grande pois a subida é, em alguns pontos, bastante íngreme. Chegando lá arrumamos nossas mochilas, pois como elas servem como guarda-roupas consiste em esvazia-las e levar apenas o necessário para a trilha. Comida, fogareiro, saco de dormir, isolante térmico, barraca, agasalho, tudo pronto, partimos por volta das 15 horas.

Estacionamento

E quem se destaca mais!? rs

A trilha foi super tranquila, para deixar a Cau mais calma eu havia baixado as marcações GPS da trilha, mas isso logo se mostrou desnecessário. Ela é muito bem demarcada, com poucas – quiçá nulas – chances de desviar dela. Há pequenos postes, totens, fitinhas, pedras pintadas, setas, tudo mostrando que está no caminho correto e em trechos que a mata está em recuperação, faixas limitam seu acesso. Ainda há placas indicando quantos metros faltam para chegar ao destino. Apesar dessa facilidade, a trilha não deixa de ter trechos, principalmente o inicial, íngremes, mas nada muito longo e totalmente suportável.

Algumas das setas e marcações da trilha

Algumas das setas e marcações da trilha

O guarda-parque havia nos informado que a trilha levava 2 horas e meia para chegar ao Terreirão, mas nós chegamos em um pouco  menos que duas horas. Avistamos ali as construções que servem de apoio no acampamento. Banheiros, casa dos guardas (que ficam nela durante a alta temporada e finais de semana movimentados) e a casa de pedra, onde é possível cozinhar e se abrigar da chuva.

Casa de Apoio, aqui se pode cozinhar, mas não acampar.

Casa de apoio, aqui se pode cozinhar, mas não acampar.

Área de camping do Terreirão.

Área de camping do Terreirão.

Nós ficamos na casa de pedra e aproveitamos para alongar e descansar, chegamos até a desenrolar o isolante térmico para descansar. Mas o lanchinho que fizemos atraíram visitantes indesejados, tudo levava a crer serem ratos. Mas só vimos uma movimentação abaixo da lona deixada lá dentro para servir de cobertura extra para as janelas e de baixo do assoalho. Não quisemos ficar lá para conferir e fomos logo montar a barraca antes que escurecesse.

Encontramos um local abrigado do vento e próximo aos banheiros e decidimos ficar por lá mesmo. Pouco após terminarmos de montar a barraca começou a chegar um grupo grande de adolescentes em uma excursão escolar, pedimos algumas informações sobre as condições da trilha até o cume. Sussa! O grupo após descansarem no Terreirão, já partiram durante a noite para o acampamento de baixo e nós fomos descansar um pouco antes de fazer o jantar.

Nesse meio tempo, já escuro, chegou um cara sozinho, o que nos assustou um pouco pelo horário, já se aproximava das 19h00. Fomos conversar com ele, para saber se estava tudo bem e acabamos combinando sair na madrugada do dia seguinte, juntos, para o cume. Voltamos para fazer o jantar, espaguete com salame.. hummm!!! E direto pra cama dormir.

A noite não foi das melhores, um pouco após deitar a lua saiu e praticamente criava um holofote dentro da barraca, dificultando um pouco o sono. Mas sem problemas, às 2h00 nosso despertador tocou, nos arrumamos e fomos lá encontrar o Maurício. Descobrimos que ele havia entendido que somente subiríamos na madrugada do dia seguinte, enfim, nós já estamos pilhados para começar a caminhar.

Levamos somente uma mochila – com os dois sacos de dormir, agasalhos, comida e as cameras – e uma mochilinha de hidratação. A Cau não estava afim de levar o saco de dormir dela, mas insisti bastante e cheguei a falar, não tem problema eu que vou carregar a mochila, vou levar os dois. E ainda bem que fiz isso. O dono do hostel e o guarda haviam dito que a subida é feita em torno de 2h30/3h e o nascer do sol era um pouco antes das 6h, então para não haver riscos, saímos pouco depois das 2h30 da manhã. Mas o inimaginável aconteceu, chegamos ao cume em menos de 2 horas, eram 4h30 da manhã, fazia frio e estava ventando muito.

Nos aconchegamos atrás de uma pedra, próximo ao cristo, tomamos um chocolate quente e ficamos olhando o espetáculo do nascer do sol começar diante de nossos olhos. Já com um pouco de luz vindo do amanhecer, nós caminhamos até a cruz que fica no cume do Pico da Bandeira e deixamos nossa GoPro fazendo uma timelapse. De repente o frio passou a um delicioso calor, graças ao sol e nessa hora, voltando nossos olhos para as montanhas do lado mineiro, vimos a luz invadindo os campos e trazendo de volta o dia. Um espetáculo lindo!

Alto do Pico da Bandeira

Alto do Pico da Bandeira

Totalmente revigorados, com o que julgamos ter sido um dos mais lindos amanheceres que já presenciamos, voltamos a trilha. Agora já podendo enxergar por onde caminhávamos, sem nenhum auxílio, foi possível ver o que horas antes a escuridão escondia de nossos olhos, vastos campos de vegetação rasteira, com poucas sombras. Não sei se por conta da altitude – que quando estamos no Brasil nunca levamos muito a sério – mas o sol estava extremamente forte e logo após sairmos da sombra criado pelo Pico da Bandeira já tivemos que retirar as camadas mais quentes de roupa.

O Sol já estava aquecendo o dia

O Sol já estava aquecendo o dia

Também em menos de 2 horas, voltamos ao acampamento Terreirão, nos alongamos, tomamos mais um café da manhã e começamos a desfazer nossa barraca. Antes de partir conversamos com um grupo que estava subindo e também com o Maurício, ele disse que havia esquecido o saco de dormir, tinha passado muito frio durante a noite e não sabia se ficaria mais uma noite para subir ao cume de madrugada.

O sol estava mais forte quando começamos a descer até o acampamento Tronqueira, nada de nuvens – como havia sido a subida no dia anterior – e percebemos como a trilha tinha pouca sombra para descanso. Cansados, chegamos no acampamento, ainda foi possível tomar banho e cozinhamos antes de partir. Saímos do parque por volta das 15h, tínhamos um mapa (desenhado a mão) para chegar no sítio dos donos do HI Hostel que ficamos em Alto Caparaó, infelizmente nos perdemos e quando perguntamos para alguém, já nos avisaram que estávamos a poucos km da BR-262 (BH – Vitória) e então resolvemos falar com nossos – recém conhecidos – amigos capixabas, o Rubens e a Manu, e eles já nos esperavam para àquela noite.

Nossa despedida das terras mineiras foi de forma espetacular, igualmente nossa chegada nos Espírito Santo. Agora terminamos a mini excursão pelo interior, voltamos a costa e vamos seguir por ela por mais um tempo.

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2 Comments

  • Reply Rubens Weil 24 de October de 2014 at 17:29

    O timelapse ficou show Marcos! Infelizmente aquele dia que encontramos com vocês descendo não demos sorte na madrugada, só névoa e chuva na nossa descida. A sorte foi que havíamos subido naquele mesmo dia a tarde com tempo bom e não perdemos a viagem. haha… sucesso pra vocês!

    • Reply Marcos 24 de October de 2014 at 22:07

      Valeu Rubens!!! Que pena que não possível para vocês subirem na madrugada… pelo menos foi possível ver no vídeo 🙂
      Mas volte lá outra vez, vale a pena.

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