Dia a dia

Ruínas de Choquequirao

9 de September de 2016
Ruinas Choquequirao

Deixamos Cusco por volta das 10h da manhã, decidimos ir por conta própria (sem contratar agência de turismo) conhecer as Ruínas de Choquequirao, encontrada dois anos antes da famosa Machu Picchu.

Nos informamos no Hostel Backpacker Felix, onde ficamos hospedados, como fazer para chegar até a cidade de Cachora (2850m), a mais próxima das ruínas. E assim compramos a nossa passagem até a cidade de Curawasi (3,600m). Até lá seria pouco mais de 1h, mas ainda era preciso mais duas conduções para chegar a nosso hospedagem.

Em seguida pegamos um taxi até o trevo que leva à cidade de Cachora (eles chamam de ramal) e esperamos por uns 30min passar algum carro que pudesse nos levar até nosso hostel, o CasaNostra.  A viagem toda, até Cachora, (com 3 conduções) saiu por $80 Soles por pessoa.

Aguardando o taxi que nos levará até Cachora

Aguardando o taxi que nos levará até Cachora

Já em Cachora, acomodados em nossa hospedagem, fomos recebidos pela família do Mateo, um italiano que vive há 6 anos no Peru, dono do hostel. Passaríamos 1 noite na cidade antes de pegar a trilha. Dessa forma conseguimos organizar nossas coisas e alinhar o horário com o nosso arriero e mulas, não teremos guia. Enquanto esperávamos confirmações aproveitamos para almojantar no hostel e comprar algumas coisas para levar na trilha. É possível comprar comida nos campings da trilha, mas levar a sua própria é uma boa economia.

Vista do nosso quarto, CasaNostra Hospedagem

Vista do nosso quarto, CasaNostra Hospedagem

Compramos sucos, água, pães (muitos pães), atum e frutas. Infelizmente estamos sem gás para o nosso fogareiro, e aqui na cidade não é possível encontrar para comprar. O Mateo até ofereceu alugar o kit cozinha dele para levarmos, mas ai seria mais uma mula só para isso (gás, fogão, panelas) gastaríamos um pouco mais. Optamos por passar os dias com sanduíches, chocolates, frutas e se preciso pagamos um dia para jantar. E nossa mula levaria apenas nossas coisas de camping (barraca, isolantes, comidas e roupas).

Saco de Pão

Saco de Pão

Tudo resolvido e acertado era hora de descansar, iremos encontrar nosso arrieiro às 8:30 do dia 06 de setembro.

Dia 1

O ponto de encontro com o Rolando, nosso arriero, era no final da estrada e início da trilha. Fomos de carro por 11km desde a cidade de Cachora, há quem faça esse trajeto a pé, mas pagamos $30 soles para chegar de carro próximo ao Mirador Capuliyuc (2800m), onde realmente começou a trilha para nós.

Nosso arriero atrasou um pouco, coisa de 30 min, mas logo arrumou nossas coisas nas mulas. Sim, vamos com duas mulas. Aqui os arrieros não saem com apenas um animal, não vale a pena para eles, sem contar que no nosso caso uma das mulas foi sem carga, então era possível montar nela caso precisássemos – e precisamos – para alguma parte da trilha.

Um belo caminho, trilha abaixo.

Um belo caminho, trilha abaixo.

No primeiro dia tivemos que descer até o nível do Rio Apurímac, mais ou menos 3h caminhando até lá. Sim, uma descida bem cansativa e o sol forte judiava um pouco de nós. Nosso caminho foi cruzar o rio – passando pelo camping da Playa Rosalina (1550m) – e subir por mais ou menos 2h até chegar em Santa Rosa Baja (2115m), onde dormimos.

Ponte que cruza o Rio Apurimac

Ponte que cruza o Rio Apurímac

Após atravessar a ponte eu subi na mula e caminhei junto com o Rolando morro a cima. Chegamos em 1h30 no camping, as mulas caminham em outro ritmo, mais rápido. O Marcos acabou ficando para trás, as subidas são bem íngremes e, novamente, o sol castigava. Não tinha muitas nuvens no céu e ele não levava nada para comer na mochila, apenas um pouco de água. Um erro, sabemos.

Cozinha do Camping Santa Rosa Baja

Cozinha do Camping Santa Rosa Baja

Rolando percebeu a demora dele em chegar e decidiu descer com a mula para ajudar na subida. Ainda bem, o Marcos estava bem cansado e um pouco desidratado por conta da falta de água e sol forte. Sem a mula talvez ele levasse mais 1h para chegar.

Área de Camping - Santa Rosa Baja

Área de Camping – Santa Rosa Baja

Depois de quase 5h caminhando, já no camping, agora era tomar um banho, comer alguma coisa e descansar. O camping custou $5 Soles (pela barraca para 2 pessoas) e podia tomar banho gelado e usar o banheiro. Se quiser também pode comprar comida – arroz, batata frita e ovo -, ou bolachas e refrigerantes.

Dia 2

A noite foi longa e para mim não muito boa, fui acordada 3 vezes para usar o banheiro, diarréia. Pois é, não é um ambiente muito legal para passar por isso, mas aconteceu. Não sei se a água ou o atum (comemos com o azeite da lata, não escorremos), algo me desregulou bem.

Começaríamos a caminhar às 6h da manhã, rumo ao próximo camping – Marampata (2850m) – e também para conhecer as ruínas de Choquequirao. Tomamos nosso café da manhã (pão com margarina e leite com chocolate) e saímos. Na verdade eu não comi muito, me forcei a comer e beber, mas meu corpo não estava muito feliz.

Trecho da Trilha até Marampata

Trecho da Trilha até Marampata

Até Marampata são mais ou menos 2h30 de caminhada montanha acima, eu subi na mula e o Marcos seguiu caminhando. O tempo estava melhor, na verdade como estávamos mais altos estava um pouco mais frio e muita neblina. Isso ajudou o Marcos a caminhar, que fez uma subida tranquila e em 2h já estávamos juntos. O tempo já tinha melhorado e o sol dando as caras por lá.

Como eu cheguei antes no Camping, aproveitei para já deixar a nossa barraca montada e arrumar uma coisas. Até Choquequirão eu não iria na mula, caminharíamos juntos por mais ou menos 2h (trecho de ida).

Do camping já é possível ver, de bem longe, as ruínas, é incrível.

Comemos alguma coisa e seguimos para visitar as ruínas. Rolando ficou no camping com as mulas nos esperando. No caminho o Marcos achou melhor não passarmos a noite em Marampata, por conta da minha situação era melhor descermos e dormir novamente em Santa Rosa Baja, e assim adiantar um pouco o caminho do dia seguinte. Na verdade o ideal era descer e dormir em Playa Rosalina, mas eu não estava bem para caminhar tudo isso.

Passamos pelo posto de controle das ruínas e pagamos $55 soles cada. Conversando com o guarda ele comentou que algumas pessoas chegam até Marampata e não conseguem continuar a caminhada até Choquequirao, é realmente bem puxado.

Terreças das ruínas - só vimos de longe

Terraças das ruínas – só vimos de longe

Mesmo eu fraca, não me sentindo bem decidi continuar, ficaria frustrada de não ter conseguido chegar lá. Caminhamos bem devagar, com muitos sobe e desce, o esforço não era pouco. Pensei duas vezes em desistir.

Depois de pouco mais de 2h caminhando chegamos na ruínas, que incrível! Que majestoso que é aqui, e o melhor, vazio. Poucos turistas espalhados, cada um visitando uma parte, mal nos víamos. O Marcos explorou um pouco mais, eu apenas cheguei e sentei. Caminhei pela sala principal, sem me aventurar em subir e descer para visitar alguns pontos interessantes, que ficavam há alguns minutos de caminhada. Infelizmente não conhecemos as terraços com as llamas desenhadas em pedras brancas. Precisávamos pensar no caminho de volta que ainda teríamos, e poupar energia para isso.

Na sombra, descansando para encarar a volta

Na sombra, descansando para encarar a volta

Ficamos nas ruínas por um tempo, fotos, vídeos, descansando e refletindo sobre tudo que estamos conhecendo. Que oportunidade que estamos nos dando, que incrível.

Bela vista das Ruínas

Bela vista das Ruínas

De volta ao camping de Marampata, desfizemos a nossa barraca, guardamos as coisas e o Rolando equipou as mulas e começamos a descida. Mesmo fraca queria caminhar um pouco, então eu e o Marcos descemos juntos até Santa Rosa Baja, mesmo camping onde dormimos em nossa primeira noite.

Chegando lá a dona do camping, a senhora Eufêmia, viu que eu não estava bem, disse que era preciso comer comida, e sim, eu sentia falta disso, então pedimos um prato para cada de arroz, batata frita e ovo ($9 soles cada). Simples, mas delicioso, meu corpo pedia por comida e aceitou muito bem. Ela também fez um soro caseiro, mas confesso que esse eu não consegui tomar.

Acampamento montado, banho gelado tomado era hora de jantar e descansar para o dia seguinte. Decidimos terminar a trilha um dia antes. Essas decisões eram sempre tomadas pelo Marcos, pois ele que caminharia a maior parte do tempo, o esforço maior era dele. Para mim, na atual situação, seria melhor chegar antes “em casa”, no hostel CasaNostra.

Dia 3

Hoje o dia seria longo, acordamos às 5h e eu não precisei acordar para ir ao banheiro, estava melhorando. Saímos para caminhar às 6h, descemos juntos, eu e o Marcos. Foi uma descida tranquila, devagar fomos indo até Playa Rosalina, na beira do Rio Apurímac. Nosso plano era subir até o acampamento Chiquisca (1950m), lá descansar um pouco antes de seguir para o último trecho, subir até Capuliyoc (2850m).

Da Playa Rosalina até Chiquisca eu subi com a ajuda da mula, até tentei subir caminhando, mas tinha um pouco de tontura e muito cansaço, por conta da fraqueza. O Marcos seguiu bem, o sol começou a pegar e isso deixava o caminho mais difícil.

Em Chiquisca, descansamos um pouco e Rolando nos convenceu a seguir pois mais ou menos 1h30 até um último ponto, um camping sem muita estrutura. Seguimos, eu na mula e o Marcos caminhando. Chegamos neste último ponto por volta das 11h da manhã, o sol forte demais para seguir e ainda bem que havíamos comprado alguns coisas para comer e beber em Chiquisca, pois não havia nem água neste ponto.

Os mosquitos começaram a aparecer e fazer de nós seu alimento, não pensei em outra alternativa a não ser montar a barraca na sombra e ali ficar por um tempo, era preciso descansar para seguir o último e mais pesado trecho do trekking.

Rolando aproveitou para descansar um pouco também e alimentar as mulas. Ficamos até umas 14h, na sombra estava fresco e já era hora de partir, para chegar ainda com luz do dia no final do caminho.

Saímos andando juntos, enquanto as mulas eram carregadas. O Marcos estava fazendo a trilha no ritmo dele, o que era bom, e eu ficando para trás. O que não era um problema, pois logo minha mula chegaria, a Negrita, minha companheira, sem ela seria possível, mas bem difícil.

Subimos o último trecho em 2h, e o Marcos demorou um pouco mais, mas chegou. Ele e seu companheiro Puma, um cachorro que o acompanhava desde a ponte, na Playa Rosalina. O entardecer ajudou a refrescar o calor.

Marcos e seu companheiro, Puma.

Marcos e seu companheiro, Puma.

A sensação de completar uma trilha difícil era ótima, o Marcos tinha um sorriso de orelha a orelha, e também um semblante de cansaço. Dá para entender. Chegamos no ponto de onde partimos, e até pensamos em dormir ali mesmo, armar a barraca e ir embora no dia seguinte. Mas o tempo estava ficando feio e frio, o dono de uma venda não estava lá, ele seria um bom apoio para a nossa noite.

Nos despedimos de Rolando, que seguiu caminhando com suas mulas até a cidade de Cachora, para ele seriam mais 11km até sua casa. Nós conseguimos um carro, por $30 soles, que nos levou até a hospedagem CasaNostra.

Ufa! Sensação de dever cumprido e eu agradecendo por ter um banheiro para usar. O Mateo, dono da hospedagem, não estava. Mas como os quartos ficam com as chaves na porta, tomamos a liberdade de entrar em um quarto, tomar um bom banho e capotar. Foi o que eu fiz, parecia que meu corpo sentia algo como “aqui você pode relaxar”, o Marcos só me acordou para comer.

O Mateo e sua família chegaram, ele tomou um susto conosco lá, mas não foi nenhum problema termos entrado no quarto, pelo contrário, ele pareceu confortável com a situação. O Marcos desceu com um pacote de macarrão e pediu se ele poderia cozinhar. Nossa, foi o melhor macarrão sem molho que eu já comi. Depois do jantar, capotei, meu corpo pedia um descanso.

Hoje, 9 de setembro, acordei bem, ufa! Tomei um bom café da manhã. O Marcos estava super bem, um pouco cansado, mas a felicidade estava superando tudo. Agora era hora de partir, voltar para Cusco e seguir nosso caminho, rumo ao norte do Peru, rumo a Cordilheira Blanca.

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